Alara: Um pouco sobre sua lore

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Olá, eu me chamo Igor e sou novo por aqui. Junto comigo trago uma nova série de artigos chamados “Faz Sentido?” com a proposta de trazer histórias e analisar a lore em decks do metagame atual do modern. Para começar escolhi o deck mais jogado no momento¹, o ressurgido do esquecimento, Jund!

Primeiro é preciso definir o cerne do deck, a sua essência em mais puro estado. Acredito que na maioria dos casos essa definição vem no nome, e com esse não é diferente. Jund. Mas afinal, o que é Jund?

Obs: Como o post ficou muito grande, deixarei a análise do deck para outro dia, mas aproveite o momento e já leia a história de Alara! ^_^


De volta ao fim de 2008, lá estava Fragmentos de Alara um set novinho em folha, e com ele a história de Alara, ou pelo menos o que sobrou dela. Uma força desconhecida, não se sabe como nem porquê, fragmentou o plano de Alara em cinco planos, cada um deles contendo apenas uma cor de mana e suas duas cores aliadas. Embora todos os fragmentos viessem do mesmo plano, não havia ligação nenhuma entre eles, cada um evoluía de forma diferente através do tempo e da mana disponível.

JundJund, o plano cujas cores de mana presentes eram vermelho, preto e verde, logo chamou a atenção de Sarkhan Vol, um planinauta pertencente a um círculo de xamãs que veneravam dragões como predadores supremos. Sarkhan viajava pelos planos desde um momento de transe em que, ao contatar um espírito dracônico ancião, teve sua centelha acesa. Vindo de um mundo onde dragões foram extintos por lazer, e a destruição de tudo durante guerras era comum, ele percebeu em Jund a possibilidade que ansiava de finalmente encontrar um dragão que merecesse sua devoção. Sarkhan se adaptou a falta de mana azul e branca, assim como a geografia havia se adaptado, um cenário vulcânico, com poços de piche. Ele podia viver assim. O fogo e destruição em terras selvagens regidas pela fome, onde a regra era impor seu poder sobre os outros e, eventualmente, o devorar. Dragões no topo da cadeia alimentar. A vida em sua forma mais agressiva. Um lugar onde o próprio conceito de sociedade e pensamento intelectual eram inexistentes, até mesmo incompreensíveis. Isso era Jund.

Mas Sarkhan não havia sido o único planinauta atraído pela singular peculiaridade dos cinco planos de Alara. Nicol Bolas também estava lá, mas não em Jund. Em Grixis, o plano dominado pela morte, onde apenas as manas de cor preta, azul e vermelha fluiam. Já havia algum tempo que ele estava escondido, observando os cinco planos em movimento, aproximando-se lentamente sem que ninguém percebesse. Tempo suficiente para reunir forças em cada um deles.Ajani

Em outro fragmento estava Ajani Juba D’ouro, um leonino da raça dos felinos humanoides, os nacatls. Tais seres só existiam ali em Naya, o plano da mana verde, vermelha e branca, um paraíso tropical onde a natureza e suas enormes criaturas eram cultuadas. Embora fosse selvagem, a ausência do preto e azul dentre as cores de mana nesse plano proporcionavam um ambiente de competição saudável, sem ganância e egoísmo. Mas em uma noite, algo sombrio aconteceu com Ajani. Enquanto o bando todo dormia algo adentrou o acampamento e despejou um frasco de magia negra no fogo, uma explosão aconteceu e dela saíram sombras atacando a todos. O líder di bando, Jazal, irmão de Ajani, foi morto naquela noite, pela lâmina de seu próprio machado. No momento de tristeza absoluta, enquanto segurava o corpo de seu irmão, Ajani sentiu a ira, sentiu o fogo escorrer onde antes havia sangue, e em um instante estava em Jund. Sua centelha havia acendido. E ele queria vingança.

Em Grixis, um dragão demônio reunia um exército de mortos-vivos, eles atacariam os outros planos assim que todos se tornassem um, como o dragão ancião havia prometido a ele. O sangue dos anjos iria jorrar e escorrer por suas garras. Ele fazia questão de espalhar a violência pelo mundo. Esse era seu propósito, e como um nativo de Grixis, Malfegor jamais ficaria satisfeito. A falta da mana branca e verde causava o caos e desordem em todo o plano. Não havia vida além dos restos da Alara original. Os barões necromantes reproduziam o mais próximo disso que podiam, zumbis vagavam devorando o que quer que aparecesse, e demônios reinavam em seus territórios de podridão.

Ajani havia voltado para Naya, após ser salvo por Sarkhan em Jund de um enorme dragão chamado Karrthus. Quando chegou ao local da emboscada ao bando, encontrou o machado de seu irmão, e fundiu ao seu, formando uma nova arma de batalha. Ajani acusou um dos outros nacatls de ter traído o bando, e após ameaça-lo na beira de um penhasco, viu o jogo virar e então eles batalharam, e era ele que estava na beirada dessa vez. Preste a morrer, ele se jogou novamente no vazio entre os planos, e foi parar em Bant, um dos planos vizinhos.

Bant era fundado em ideais de organização, honra e benevolência sustentado pela essência das cores de mana disponíveis no plano: branco, verde e azul. Sua estrutura social era hierárquica, tudo funcionava bem, a sociedade era mantida de maneira digna e natural. Os anjos, no topo da hierarquia, concediam sua benção divina aos que estavam nas classes mais baixas, e esses trabalhavam para defender os que estavam ainda mais embaixo, e embora possa parecer cruel, ninguém se sentia mal. Cada um possuía seu papel, e todos sabiam que a sociedade fluiria muito bem se trabalhassem naquilo o que eram designados. Lá Ajani foi mantido sob os cuidados de Elspeth Tirel (que viria a ser sua melhor amiga no futuro) por duas semanas, e então retornou a Naya procurando o real culpado pela morte de seu irmão.

MaelstromE então aconteceu. Enfim, a confluência. Os cinco planos se uniram formando um anel de mundos, a nova Alara. No centro disso tudo uma tempestade mística ocorria, o Maelstrom, com poder suficiente para destruir todo o plano, alimentando-se da mana em excesso que fluía da união dos fragmentos. Poder suficiente para restaurar a força de um planinauta da antiga era. Um imortal de antes da restauração da fenda em Dominária, que agora perecia através do tempo. Era esse o plano de Nicol Bolas, reaver sua imortalidade.

Com Alara reunida, os antigos fragmentos tornaram-se caos, cada um deles fazendo fronteiras com dois outros, descobrindo novas realidades, as antigas tríades de mana agora uniam-se as outras duas cores, a realidade se desfazia aos poucos, se recriando em outras formas, de outras maneiras. Os exércitos de Malfegor atravessavam os fragmentos destruindo toda forma de vida. Afinal, como lutar contra um inimigo que usa a própria morte como arma?

Os artífices de Esper levantavam muralhas mágicas usando sua mana Ilha de Esperazul, branca e preta. A simples ideia de outros planos unindo-se ao deles era demais para aguentarem. Em Esper, sem a presença de mana verde, assim como em Grixis, nada nascia. Mas ao invés da desordem e morte, Esper evoluía com precisão, e recriava a vida através da liga metálica conhecida por Etherium. O plano era completamente organizado, até mesmo a paisagem e o clima estavam sob controle. O lar das máquinas e dos mais diversos artefatos, lar de pessoas com Etherium fluindo pelo corpo. E de repente lá estavam as hordas vindas de Grixis, criaturas nascidas dos restos, da podridão. Era impossível descrever se era um nascimento ou uma morte, quando corpos se debatiam e agonizavam no chão. E não era apenas de fora que vinha o caos. Nas engrenagens da sociedade de Esper estava uma seita chamada Caçadores de Carmot, que afirmava possuir a única forma viável de se forjar o Etherium. Como o mesmo estava se esgotando das reservas do plano, os caçadores passaram a exercer grande influência, e usaram isso para conduzir o povo a uma cruzada sem precedentes em busca de mais. Eventualmente no futuro um jovem artífice tocado pelas sombras, chamado Tezzeret, descobriria que os Caçadores de Carmot eram uma farsa, que o Codex contendo a receita de Etherium eram apenas páginas em branco, e há alguns segundos de ser morto pelos guardas do local, ele teria sua centelha acesa e se descobriria um planinauta.

GwafarPorém, não era somente em Esper que o caos vinha de dentro. Bant passava por algo parecido. A perturbação vinha de uma organização chamada O Olho Celestial que outrora fora uma ordem de cavaleiros devotos a integridade, agora possuía corruptos no comando, e estava saindo em uma cruzada para matar qualquer um que fosse contra seus ideais, alegando que esses eram traidores dos verdadeiros ideais de Bant. Além da ordem do Olho Celestial, havia Gwafa ElspethHazid que espalhava rumores pelo plano, e colocava um contra os outros para se aproveitar das desavenças. Isso tudo apenas internamente, pois externamente o problema era ainda maior. Os cavaleiros de Bant, acostumados a batalhas ritualísticas baseadas em um rígido código de honra, não sabiam como lidar com as criaturas selvagens gigantescas que surgiam das florestas de Naya, e para piorar, os bandos de nacatls agora caçavam suas novas presas, pomposas e delicadas, em Bant. Mas havia uma esperança. Uma poderosa cavaleira que havia adotado Bant como lar, após muito vagar por entre os planos. Lá estava Elspeth Tirel lutando lado a lado com os anjos para proteger o mais próximo que lhe sobrara de uma casa.

Os cinco fragmentos estavam entrando em colapso externo e interno. Em Naya os nacatls haviam se dividido após alguns se aproveitarem dos outros para benefício próprio. Em Jund uma xamã muito poderosa, cegada por promessas de mais poder, liderava as tribos de humanos em uma caçada aos outros seres do plano, para depois seguir em ataque aos outros fragmentos. E em Grixis as videntes do Conventículo do Olho Partido profetizaram que uma fonte de grande energia vital surgiria, e usaram disso para convencer o povo de seu plano a obedecê-las.

confluxTudo isso, fora planejado por Nicol Bolas. Cada uma das guerras civis, das cruzadas, das organizações, tudo fora arquitetado, e inserindo pequenos pensamentos em determinados grupos daquelas estranhas sociedades, as engrenagens finalmente começavam a rodar. Tudo o que ele precisava era que uma guerra assolasse todo o plano, e então os obeliscos de mana seriam ativados, e o Maelstrom ficaria ainda mais forte. Porém algum tempo depois da convergência, as fronteiras planares passaram a se adaptar a nova realidade. As criaturas viajavam e conheciam os novos mundos, eventualmente até se mudavam para lá. Exércitos passavam a aprender novas técnicas de guerra. Caçadores agora contavam com a ajuda de novos seres, e havia tanto para caçar além das fronteiras! As espécies se misturavam, e a ciência e magia evoluíam. Os exércitos que haviam saído em cruzadas sem fim no início da confluência já haviam sido derrotados. Seres híbridos nasciam nas divisas de Bant e Esper, e o mesmo acontecia nas divisas de Esper com Grixis, Grixis com Jund, Jund com Naya, e Naya com Bant. Mesmo com os infiltrados de Nicol Bolas promovendo guerras de dentro para fora, novos exércitos se formavam e marchavam em direção a Grixis para lutar contra o mal do qual falavam os boatos. Nova Alara prevalecia.

Depois de seguir diversas pistas, Ajani encontrava-se na fronteira de Grixis prestes a marchar contra Nicol Bolas, acreditando que, de alguma forma, era ele o culpado por tudo o que havia acontecido. Junto a ele estava o exército do nacatl Kresh, vindo de Naya. E nesse ponto decisivo de sua história, apareceram Mayael e Zaliki. A primeira, uma xamã élfica, a Anima de Naya, o segundo, um guerreiro nacatl. Ambos esperando comandos de Ajani para avançar contra os dragões de Sarkhan, que agora lutavam ao lado de Nicol Bolas, o dragão ancião que o xamã ouviu sussurrar durante o transe que acendeu sua centelha. Após um pouco de conversa Ajani descobriu que o assassino de Jazal, era Zaliki. Contra toda e qualquer expectativa, ele sentiu a tranquilidade. Sua sede por vingança se foi. Talvez em outra situação sua cruzada estivesse acabada, mas o que aconteceu a seguir o obrigou a ficar e lutar.

Nicol Bolas

Em Grixis, finalmente havia chegado a hora. Nicol Bolas enfrentaria os exércitos de Jund, Naya e qualquer um que estivesse ali naquele momento. O ritual estava começando. A enorme tempestade mística no centro de tudo estava diminuindo. As várias ondas de mana que fluíam do Maelstrom se tornaram escassas, e em pouquíssimo tempo Nicol Bolas havia absorvido praticamente toda a energia gerada no encontro dos cinco planos. Aquilo não podia acontecer. Ajani sabia disso. Em uma tentativa desesperada de detê-lo Ajani absorveu o que havia sobrado do Maelstrom e conjurou um avatar, a essência da própria alma de Nicol Bolas, para lutar contra ele. Os dois batalharam em perfeita simetria, era como assistir a uma dança de titãs no céu de Grixis. E então ambos foram varridos do plano após se atacarem de forma fatal. Nicol Bolas foi banido de Alara, e lentamente aquela nova sociedade voltou a prosperar.

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6 Resultados

  1. geraldojf2007 disse:

    Gostei da forma de narrativa! Esperando a continuação com a análise do “Deck” Formato…
    Sucesso, Igor… Blacker Lotus!

  2. Me pergunto se voltaremos para alara um dia e como seria a “Nova” Alara.

    • Igor Gulicz disse:

      Olha, eu acho que voltaremos em algum momento.
      Não lembro quando foi, mas há um tempo atrás a Wizards disse que tentaria revisitar os planos ao invés de criar novos. Já estamos em Zendikar, e como você disse, tem a “Nova” Alara inteira pra se explorar.

  3. Cara, ótimo texto! Faltam coisas de Alara em português, e acho um dos lores mais interessantes do MTG, além de não estar terminado! Parabéns!

    • Igor Gulicz disse:

      Obrigado!
      Também fico fascinado com Alara, tomara que a revisita ao plano aconteça logo para podermos saber o que aconteceu depois de tudo.

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